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Post mortem

Post mortem

03
Ago17

Morrer de amor.


Aperta-se-me o coração cada vez que sinto que enquanto eu renasço das cinzas, tu te enterras no abismo. Eu caminho em direção à vida, tu em direção à desgraça.

abre os olhos meu amor, ainda estás a tempo.

O karma encontrou-te sob a forma mais apelativa para ti: a mulher. O karma tem dormido contigo, tem-te entrado no corpo, na cabeça, talvez na alma e no peito e tu nem sabes, nem notas. O karma está a foder-te bem o corpo para um dia te foder bem a vida. Meu amor, onde te foste meter? Meu amor, onde me foste deixar? Deixaste-me encarregue de te observar, de te ver afundar-te ao longe sem te poder salvar. Um dia disseram-me que não se pode ajudar quem não quer ser ajudado. Tu nunca quiseste. Continuas sem querer.

Dói-me olhar nos olhos dela, não porque te tirou de mim mas porque vai ser a tua desgraça, o teu fim. Nela vejo o teu triste fim, o teu miserável destino que um dia teve tudo para ser fantástico. Talvez seja através dela que te vás redimir de todo o mal que tens feito, que tens carregado. Talvez tivesse que ser assim. Talvez tivesses de ter a pior pessoa do mundo, para perceberes que eu (até) fui das melhores.

O teu karma disse-me uma vez que ninguém morre de amor, ninguém morre por amor. Como se engana, como se ilude. Tanto se morre, como se mata. Prepara-te para essa doce morte que te aguarda, para o definhar da tua felicidade. Faz as malas porque para onde vais, não há volta.

Faz as malas, e leva-me contigo na memória, porque vai ser tudo o que te vai restar para te poderes salvar. Faz as malas, porque nunca mais vais voltar dessa terra de arrependimento para o qual caminhas.

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