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Post mortem

Post mortem

11
Jun17

#1


Não consigo respirar. A ansiedade aperta-me o pescoço e eu não respiro. A dor puxa-me para a cama todos os dias e a saudade.. ó, a saudade. Essa conta-me histórias noite fora para que eu não durma ou então, quando deixa, acorda ao meu lado esbofeteando-me para que te sinta ainda mais a falta.

Esta casa grita o teu nome em cada canto, em cada peça de mobília ou decoração. Os nossos 5 filhos olham-me como quem te procura em mim. E tu, na verdade, já não estás. Moras em mim e ninguém vê. Tu, na verdade, mataste-me e fugiste. Deixaste-me aqui, com um buraco no peito maior que o mundo, deixaste-me aqui, sem rumo e sem sentido.

Perdi-me de mim e do mundo. Perdi-te. 

Perdi-te e contigo se foi tudo e veio tanto. 

Fizeste as malas e as memórias deixaste-as. O que faço eu com elas se são para ser partilhadas? O que é suposto eu fazer com o nosso amor que me deixaste para eu guardar?

Onde guardo um amor maior que o mundo quando na realidade já só um peito lhe abre as portas?

 

Vais voltar, não vais?

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