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Post mortem

Post mortem

01
Jul17

Domingo Filho-da-Puta!


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Quando me deixaste, não me deixaste sozinha.
Tornaste-me numa vagabunda de emoções: Deito-me com a nostalgia, acordo com a tristeza, passo os dias com a saudade. Não podias ter levado tudo contigo? A minha companhia já não era boa para ti, mas é maravilhosa para a dor que me persegue e me tenta conquistar. A minha sombra sofre em silêncio pela silhueta que já não a acompanha.
O meu corpo não te esquece, nem poderia, mesmo que quisesse. A minha alma foi procurar-te e ainda não voltou. Se a encontrares, indicas-lhe o caminho para casa ...para nossa casa?
O Domingo é filho da puta. Espera toda a semana para que eu apreça e ele me surpreenda mesmo alí, ao virar da esquina. Sempre que chego até ele, estendo a mão, para que possamos estar em paz mas ele espeta-me um soco no estômago, deita-me ao chão e pontapeia-me até à rua da realidade que está vazia. Domingo filho da puta!
Tenho uma pilha de recordações tuas e nossas em cada canto desta casa. Tenho memórias tuas na mala do carro, nas gavetas do armário, na sapateira e no frigorífico. Não entendo como podes ter ido embora e ter deixado tanto para trás.
O Domingo traz tudo à toa, tudo à baila, tudo ao de cima. O Domingo obriga-me a lembrar que te perdi, que te fiz ir embora, que não fui capaz de ser a melhor versão de mim. Domingo filho da puta, podes desaparecer daqui?
Pergunto-me como pode haver tanto de ti aqui, se na verdade já não há nada. Pergunto-me onde escondeste o nosso amor, porque sei que o escondeste e eu estou farta de o procurar. Onde guardaste aquele nosso pequeno amor que ainda estava a aprender a andar?
Matámos o nosso amor com todos os Domingos filho da puta.
Domingo filho da puta!

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